Sexta-feira 07 de Maio de 2010 - Horário da publicação: 10h55

(Fernando Gusen/JIP)
Plenário contou com a presença de banqueiros, auto
Igrejinha – Na noite de terça-feira autoridades, banqueiros e comunidade estiveram reunidos no plenário da Câmara de Vereadores para debater sobre segurança bancária e segurança pública. A audiência foi proposta pela comissão única de pareceres da casa formada pelos vereadores Dalciso Oliveira, Ademir Stein e José Orpidio de Melo.
O foco da discussão ficou na segurança bancária, que vem deixando a sociedade preocupada com as constantes investidas de assaltantes em agências financeiras, pondo em risco a vida de clientes e funcionários.
O representante da Federação dos Trabalhadores de Instituições Financeiras do Estado, Lúcio Mauro Paz revelou que somente neste ano já foram 46 ataques a bancos, o que representa um crescimento de 30% em relação ao mesmo período do ano passado. Ele ainda salientou a necessidade de debater com os bancos o aumento de investimentos para reduzir as ocorrências. Alguns encontros já ocorreram e ele afirmou que há resistência por parte das instituições em construir ambientes mais seguros.
Em seguida o dirigente sindical e banqueiro aposentado, Luiz Ricardo Ramos, lembrou da sensação terrível que teve em um assalto, alem da humilhação, o perigo eminente de perder a vida a qualquer instante. “As técnicas dos assaltantes se aprimoram a cada dia e a alegação dos bancos em não poder investir em segurança é mentirosa. E aqueles anúncios de lucros bilionários que os bancos divulgam orgulhosamente?” indagou o ex-banqueiro.
“Quem está nos gabinetes tem segurança particular e andam de jatinhos e helicópteros, eles não vem nas agências e a única linguagem que falam é lucro, lucro e mais lucro. Não existe retorno à população que gera esses lucros aos bancos. Banco é para servir a sociedade e não se servir da sociedade”, alfinetou.
Representando a Brigada Militar de Igrejinha, o sargento Julio César, comandante da patrulha bancária destacou que a corporação está equipada para eventual combate com assaltantes. “Temos coletes, capacetes, pistolas, carabinas e outras armas”, alertou. A patrulha bancária existe há oito meses e conta com os serviços do sargento e mais quatro PMs armados, treinados e com viaturas. O policial frisou que o último assalto a banco na cidade ocorreu em 2005 e resultou em cerca de R$ 400 mil roubados e no confronto um bandido foi preso e outro morto. Neste ano houve duas tentativas (caixa eletrônico do Unidão com explosivos e com reféns no Banco do Brasil). O assalto que os meliantes tiveram êxito foi em um posto de combustíveis onde o cofre foi explodido e o dinheiro roubado.
Atualmente a BM local possui um efetivo de 34 policiais. “Recebemos um incremento de cinco policiais recentemente e no quesito infraestrutura e armamento nossa cidade está anos luz a frente das demais companhias da região”, comentou Julio César.
Após as explanações deste convidados o público pode interagir e registrar questionamentos e contra pontos. Assim, um representante do Banco do Brasil de Igrejinha fez uso da palavra para enaltecer a importância de pensar na segurança do funcionário das agências. “Não adianta por vidros blindados nas portas das agências se os meliantes vão na casa de nossos colegas para fazê-los reféns”, revidou. Em resposta a este comentário, Luiz Ricardo Ramos disse que “a questão é a prevenção e se há reféns é porque há falhas na segurança dos bancos”.
Em Igrejinha a comunidade enfrenta um grave problema: os carros-fortes que estacionam no maio da rua para coletar malotes nas agencias sendo que, em caso de uma tentativa de assalto, com o veículo coletor em plena via pública, põe em risco a integridade física dos transeuntes. Diante dessa situação o plenário sugeriu que os bancos providenciem estacionamentos para efetuar essas operações e, aos que não possuem espaço físico para isso, que comprem um terreno para implantar um local apropriado para os carros-fortes estacionarem.
O vereador presidente do legislativo, Vladimir Volkart, destacou a necessidade de mudar o sistema de coleta dos malotes por carros-fortes, evitando que os mesmos fiquem no meio da via e apontou para três legislações (1994, 2000 e 2009), que existe em Igrejinha e trata pontualmente sobre a segurança dos clientes e funcionários das agências bancárias da cidade e pediu mais agilidade ao executivo para regulamentar as leis aprovadas pelo legislativo e o cumprimento delas por parte das instituições financeiras.
A comissão única de pareceres, que propôs a audiência reforçou o pedido do vereador e cobrou mais rigor nas fiscalizações, alertando, inclusive, que o legislativo irá procurar meios judiciais, se for preciso, para garantir que tais leis sejam regulamentadas e cumpridas.
Durante a audiência a administração municipal esteve representada pelo vice-prefeito Vanderlei Petry.
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